ESTADO DE PERNAMBUCO
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA
Legislatura 16º Ano 2007
Requerimento Nº 156/2007
Requeremos à Mesa, ouvido o Plenário e cumpridas as formalidades regimentais, um voto de aplausos pelo centenário de emancipação política do município de Floresta.
Da decisão desta Casa, e do inteiro teor desta proposição, dê-se conhecimento ao Prefeito de Floresta, Sr. Afonso Augusto Ferraz , ao Presidente da Câmara de Municipal e demais Vereadores daquele município.
Da decisão desta Casa, e do inteiro teor desta proposição, dê-se conhecimento ao Prefeito de Floresta, Sr. Afonso Augusto Ferraz , ao Presidente da Câmara de Municipal e demais Vereadores daquele município.
Justificativa
A emancipação política do município de Floresta, possibilitou aos florestanos trilharem seus próprios caminhos. Trouxe aos vereadores, o pleno gozo dos direitos políticos.
Era o primeiro passo para a criação da comarca, o que permitiria acesso mais fácil à justiça. Daí a importância de se comemorar, a 31 de março, o "Dia da Emancipação Política", a data máxima do município.Em 1907, contavam-se no município de Floresta aproximadamente 16 mil habitantes.
As feiras eram concorridas, embora o comércio não fosse dos mais fortes. A lavoura era pouco explorada, limitando-se ao plantio no "tempo de chuva". A pecuária era rudimentar, com pouquíssimos cercados. Não haviam grandes fortunas.
O município tinha então quatro distritos: a sede, Penha, Riacho do Navio e Queimadas. Povoados, destacavam-se os de Itacuruba e Caiçara dos Órfãos, hoje Betânia.
Na vila, duas escolas primárias, uma para cada sexo, levavam o ensino para cerca de 80 alunos.
Na zona rural, outras escolas, principalmente sob iniciativa particular, guiavam no caminho das letras.
A vila ainda era pequena: aproximadamente 200 casas, contando-se as de moradia e de comércio. As casas comerciais não chegavam a 30. Uma única farmácia, disponibilizava remédios para a população, muitos deles de fabricação local. Posto de saúde, nenhum. Prédio construído com a finalidade de servir como escola, nenhum. As escolas ainda funcionavam nas próprias residências dos professores.
A vila tinha seis ou sete ruas. A arborização era incipiente: a maioria dos tamarindos, plantados em 1905 e tão bem cuidados por João Gomes Barbosa, começavam a despontar dos grajaus. Ainda não davam sombra nem permitiam que neles fossem amarrados os cavalos, burros e jumentos daqueles que, aos sábados, vinham fazer suas feiras na vila.
As casas, com raríssimas exceções, eram de biqueira e muito baixas. A maioria era de taipa, ainda que rebocadas. Não existia o prédio da Prefeitura; o prefeito trabalhava em sua própria residência.
Tínhamos a Igreja Matriz de 1897, ainda sem a bela torre central. Em frente, no meio da rua, algumas das principais casas comerciais da vila. Ao lado, a Igrejinha do Rosário, "testemunha impretérita dos tempos", como disse o Dr. Álvaro Ferraz.
À noite, escuridão quase que total. Nenhuma candeia, nenhuma lamparina nas ruas. Nenhum poste. Apenas as fracas luzes dos candeeiros dentro de casa, poucos deles acesos depois das oito da noite.
Nas ruas, nada de calçamento. O vento revolvia e levantava por toda parte o pó finíssimo de terreno arenoso, cobrindo móveis e objetos. A poeira levantava no bater das patas do cavalo que passava.
Automóveis, nenhum. Ainda não haviam estradas para Floresta. O que chegava era em lombo de burro ou, no máximo, em carro de boi.
As pessoas andavam sempre alegres e gostavam de divertir-se. Traziam as consciências tranqüilas. Tinham vocação para a música, por todos cultivada. Nas reuniões familiares, nas orquestras sacras, nas serenatas ao luar, aos harpejos soluçantes de um bom violão tangido com perícia, todos se exibiam. A banda marcial, então comandada pelo maestro João Paulino, sob o auxílio de José Gomes Barbosa, animava os festejos e dava brilho e vida à pequena comunidade.
Em 1907, Floresta ainda sentia a dor da perda do Dr. Tito Rosas, seu filho mais culto, o primeiro florestano a ocupar uma cátedra, a ser professor de uma faculdade. Sua morte se dera em fevereiro no ano anterior. O fato por muito tempo consternou não só os florestanos, mas toda a sociedade, como se pode ver em comentário de Augusto dos Anjos, em carta à mãe. Dizia o grande poeta paraibano, em maio de 1907:
"Continua-se falando em política por entre fatos tristes e também pitorescos, uns atingindo o absurdo, outros com possibilidades aparentes. Mas entre todos, elevando-se a quaisquer outros numa atitude de reserva sombria, ressalta a do suicídio do Dr. Tito Rosa, lente da Faculdade de Direito. O que produz grande rumor de estranheza é semelhante ato de desespero ser levado a efeito por um homem que o Dr. Constâncio Pontual considerava o mais equilibrado de todos os seus colegas."
Era a situação em que se encontrava Floresta, naquele dia 3 de junho de 1907, quando o Deputado Euclides Quinteiro apresentou o projeto de lei elevando a vila de Floresta à categoria de cidade.
Infelizmente, não ficou registrado o discurso do Deputado, justificando seu projeto, que foi aprovado pelo Senado Estadual no dia 19 daquele mês. No dia seguinte, 20 de junho, o Governador Sigismundo Antônio Gonçalves sancionou a lei nº 867 que elevou Floresta a cidade.
Observe-se, que não se tratava de emancipação política. A Prefeitura já era ocupada pelo coronel José Gonçalves Torres e o Conselho Municipal era formado por correligionários seus. Floresta tinha administração própria desde 1846.
Falamos aqui um pouco da história; lembramos os nomes de algumas pessoas que tiveram a oportunidade de dar suas contribuições e de fazer com que nossa cidade chegasse aonde chegou. Cada um, a seu tempo, com sua visão, deu um pouco ou muito de si.
O tempo passou. Floresta agora é o maior produtor de melão e o 2º maior de tomate do estado; exibe serras de belos mirantes, propícias à prática do ecoturismo.
Sua população é estimada em 27.368 habitantes que, adultos, tem suas principais ocupações no comércio, agropecuária e administração pública.
Já não se vive no marasmo do final do século XIX, quando quase nada acontecia. Vivem-se novos tempos, numa sociedade em mudança. Sociedade dinâmica, instável, evolutiva e que exige de cada florestano constante adaptação, indispensável mesmo à sobrevivência. Vive-se os tempos da globalização, do ciclo de vida curto dos produtos, da instabilidade. Vive-se os tempos em que a única certeza é a de que tudo vai mudar, e mudar muito rápido. Vive-se os tempos da tecnologia, em que as vendas de computadores já superaram as de televisores; tempos em que o número de mensagens via e-mail já ultrapassa o de correspondências via correios; tempos em que o comércio eletrônico, através do computador e internet, já é realidade, e cresce de forma grandiosa.
Tudo mudou. Os tempos são outros. Afinal, já não estamos em 1907.
Para enfrentar esses novos desafios, precisa-se com urgência aprender a desenvolver a criatividade. Urge inovar, educar, informar, mudar interiormente, pensar grande. Enfim, de uma nova Floresta; precisamos de PAZ.
Não tenho dúvida, do conhecimento que o Poder Público Municipal tem das carências e necessidades do povo dessa terra, com a sua sensibilidade, saberá encontrar o melhor caminho.
Parabéns Floresta pelo centenário.
Era o primeiro passo para a criação da comarca, o que permitiria acesso mais fácil à justiça. Daí a importância de se comemorar, a 31 de março, o "Dia da Emancipação Política", a data máxima do município.Em 1907, contavam-se no município de Floresta aproximadamente 16 mil habitantes.
As feiras eram concorridas, embora o comércio não fosse dos mais fortes. A lavoura era pouco explorada, limitando-se ao plantio no "tempo de chuva". A pecuária era rudimentar, com pouquíssimos cercados. Não haviam grandes fortunas.
O município tinha então quatro distritos: a sede, Penha, Riacho do Navio e Queimadas. Povoados, destacavam-se os de Itacuruba e Caiçara dos Órfãos, hoje Betânia.
Na vila, duas escolas primárias, uma para cada sexo, levavam o ensino para cerca de 80 alunos.
Na zona rural, outras escolas, principalmente sob iniciativa particular, guiavam no caminho das letras.
A vila ainda era pequena: aproximadamente 200 casas, contando-se as de moradia e de comércio. As casas comerciais não chegavam a 30. Uma única farmácia, disponibilizava remédios para a população, muitos deles de fabricação local. Posto de saúde, nenhum. Prédio construído com a finalidade de servir como escola, nenhum. As escolas ainda funcionavam nas próprias residências dos professores.
A vila tinha seis ou sete ruas. A arborização era incipiente: a maioria dos tamarindos, plantados em 1905 e tão bem cuidados por João Gomes Barbosa, começavam a despontar dos grajaus. Ainda não davam sombra nem permitiam que neles fossem amarrados os cavalos, burros e jumentos daqueles que, aos sábados, vinham fazer suas feiras na vila.
As casas, com raríssimas exceções, eram de biqueira e muito baixas. A maioria era de taipa, ainda que rebocadas. Não existia o prédio da Prefeitura; o prefeito trabalhava em sua própria residência.
Tínhamos a Igreja Matriz de 1897, ainda sem a bela torre central. Em frente, no meio da rua, algumas das principais casas comerciais da vila. Ao lado, a Igrejinha do Rosário, "testemunha impretérita dos tempos", como disse o Dr. Álvaro Ferraz.
À noite, escuridão quase que total. Nenhuma candeia, nenhuma lamparina nas ruas. Nenhum poste. Apenas as fracas luzes dos candeeiros dentro de casa, poucos deles acesos depois das oito da noite.
Nas ruas, nada de calçamento. O vento revolvia e levantava por toda parte o pó finíssimo de terreno arenoso, cobrindo móveis e objetos. A poeira levantava no bater das patas do cavalo que passava.
Automóveis, nenhum. Ainda não haviam estradas para Floresta. O que chegava era em lombo de burro ou, no máximo, em carro de boi.
As pessoas andavam sempre alegres e gostavam de divertir-se. Traziam as consciências tranqüilas. Tinham vocação para a música, por todos cultivada. Nas reuniões familiares, nas orquestras sacras, nas serenatas ao luar, aos harpejos soluçantes de um bom violão tangido com perícia, todos se exibiam. A banda marcial, então comandada pelo maestro João Paulino, sob o auxílio de José Gomes Barbosa, animava os festejos e dava brilho e vida à pequena comunidade.
Em 1907, Floresta ainda sentia a dor da perda do Dr. Tito Rosas, seu filho mais culto, o primeiro florestano a ocupar uma cátedra, a ser professor de uma faculdade. Sua morte se dera em fevereiro no ano anterior. O fato por muito tempo consternou não só os florestanos, mas toda a sociedade, como se pode ver em comentário de Augusto dos Anjos, em carta à mãe. Dizia o grande poeta paraibano, em maio de 1907:
"Continua-se falando em política por entre fatos tristes e também pitorescos, uns atingindo o absurdo, outros com possibilidades aparentes. Mas entre todos, elevando-se a quaisquer outros numa atitude de reserva sombria, ressalta a do suicídio do Dr. Tito Rosa, lente da Faculdade de Direito. O que produz grande rumor de estranheza é semelhante ato de desespero ser levado a efeito por um homem que o Dr. Constâncio Pontual considerava o mais equilibrado de todos os seus colegas."
Era a situação em que se encontrava Floresta, naquele dia 3 de junho de 1907, quando o Deputado Euclides Quinteiro apresentou o projeto de lei elevando a vila de Floresta à categoria de cidade.
Infelizmente, não ficou registrado o discurso do Deputado, justificando seu projeto, que foi aprovado pelo Senado Estadual no dia 19 daquele mês. No dia seguinte, 20 de junho, o Governador Sigismundo Antônio Gonçalves sancionou a lei nº 867 que elevou Floresta a cidade.
Observe-se, que não se tratava de emancipação política. A Prefeitura já era ocupada pelo coronel José Gonçalves Torres e o Conselho Municipal era formado por correligionários seus. Floresta tinha administração própria desde 1846.
Falamos aqui um pouco da história; lembramos os nomes de algumas pessoas que tiveram a oportunidade de dar suas contribuições e de fazer com que nossa cidade chegasse aonde chegou. Cada um, a seu tempo, com sua visão, deu um pouco ou muito de si.
O tempo passou. Floresta agora é o maior produtor de melão e o 2º maior de tomate do estado; exibe serras de belos mirantes, propícias à prática do ecoturismo.
Sua população é estimada em 27.368 habitantes que, adultos, tem suas principais ocupações no comércio, agropecuária e administração pública.
Já não se vive no marasmo do final do século XIX, quando quase nada acontecia. Vivem-se novos tempos, numa sociedade em mudança. Sociedade dinâmica, instável, evolutiva e que exige de cada florestano constante adaptação, indispensável mesmo à sobrevivência. Vive-se os tempos da globalização, do ciclo de vida curto dos produtos, da instabilidade. Vive-se os tempos em que a única certeza é a de que tudo vai mudar, e mudar muito rápido. Vive-se os tempos da tecnologia, em que as vendas de computadores já superaram as de televisores; tempos em que o número de mensagens via e-mail já ultrapassa o de correspondências via correios; tempos em que o comércio eletrônico, através do computador e internet, já é realidade, e cresce de forma grandiosa.
Tudo mudou. Os tempos são outros. Afinal, já não estamos em 1907.
Para enfrentar esses novos desafios, precisa-se com urgência aprender a desenvolver a criatividade. Urge inovar, educar, informar, mudar interiormente, pensar grande. Enfim, de uma nova Floresta; precisamos de PAZ.
Não tenho dúvida, do conhecimento que o Poder Público Municipal tem das carências e necessidades do povo dessa terra, com a sua sensibilidade, saberá encontrar o melhor caminho.
Parabéns Floresta pelo centenário.
Raimundo Pimentel
Deputado
